Competição Construtiva

Competição Construtiva.

 

Prof. Dr. Tabajara Dias de Andrade

 

Somos seres competitivos.

Devemos a esta característica nossa sobrevivência como espécie e muito do desenvolvimento da humanidade. Conseqüência da disputa visceral e definitiva pela fecundação, cada um de nós é o resultado vitorioso da mais definitiva das competições, o próprio nascimento.

Competimos pela vida, nos estudos, no amor e até nas nossas horas de lazer, mas talvez nenhuma disputa seja tão intensa como aquela que vivemos no contexto do trabalho. Aqui, a competição nos promove como indivíduos e nos potencializa a capacidade profissional, gerando competências e desenvolvimento.

A capacidade da competição em potencializar pessoas, equipes e organizações é tão espetacular que muitas instituições a estimulam ao extremo, criando, intencionalmente, ambientes de alta competitividade para que cada um de seus elementos produza o melhor de si em busca dos objetivos almejados.

Entretanto, também a competição – como a maiorias das coisas na vida – tem os seus pontos negativos.

Hoje vemos, com freqüência, empresas, equipes e indivíduos envolvidos em lutas fratricidas e desgastantes, deslocando para a competição, em si, muito da energia que poderia ser investida na busca da excelência individual, da equipe e de toda a organização.

Muitas vezes, competições acirradas, nas quais os indivíduos fazem qualquer coisa para atingir seus objetivos, são, na realidade, estratégias desesperadas cujo principal objetivo é ocultar as próprias falhas.

São freqüentes os casos de pessoas que se deixaram envolver a tal ponto que no final já não têm família, amigos ou sonhos; e, o que é pior, perderam também muitas das competências essenciais para a realização dos seus próprios projetos profissionais.

O ideal é que se busque um ponto de equilíbrio ou, o que é melhor, uma “área” de equilíbrio. Nela a competição e a cooperação se complementarão num processo sinérgico e construtivo. A competição, focada nos contextos onde é realmente necessária, continuará estimulando pessoas, equipes e organizações à excelência; e a cooperação ocupará o crescente espaço restante.

Empresas focarão seus esforços em áreas que possuem vantagens competitivas e estabelecerão, com outras empresas, clientes e demais envolvidos, processos de cooperação e desenvolvimento.

Os funcionários serão estimulados ao crescimento de maneira construtiva, priorizando o bem comum e os objetivos institucionais como um todo. A eles será oferecido espaço para crescimento sem que necessitem destruir seus companheiros neste processo. O desafio do autodesenvolvimento será motivado pelo desejo de cada um de se superar em um processo de crescimento contínuo na busca da excelência, numa competição mais focada na superação dos próprios limites do que na destruição canibalesca dos concorrentes.

 
 
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